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Mulher denuncia ter sido infectada intencionalmente com HIV pelo namorado em RO

Dentista Jean José Dunga foi condenado a 5 anos de prisão em regime semiaberto e a pagar R$ 50 mil de indenização; ele responde a outros processos

Por Redação 10/09/2026 10h10
Mulher denuncia ter sido infectada intencionalmente com HIV pelo namorado em RO
. - Foto: Reprodução

Uma mulher de Porto Velho, identificada como Maria para preservar sua identidade, denunciou ter sido infectada intencionalmente com HIV pelo então namorado, o dentista Jean José Dunga, de 41 anos. O caso resultou na condenação dele a cinco anos de prisão em regime semiaberto e ao pagamento de R$ 50 mil de indenização. Segundo o Ministério Público de Rondônia (MP-RO), ele também responde a outros processos relacionados à transmissão do vírus a outras mulheres.

Maria contou que conheceu Jean por um site de relacionamentos. Os dois começaram a namorar rapidamente e passaram a conviver com frequência. Depois de um tempo, ela começou a apresentar infecções persistentes, dores pelo corpo, vermelhidão, coceira, dor de cabeça e forte cansaço.

Segundo a vítima, o próprio namorado ofereceu tratamento para os sintomas e sugeriu que ela não contasse à família que a infecção não havia passado. “Isso me acendeu uma pequena luz”, relatou.

Com a piora do quadro, Maria decidiu fazer exames para descartar infecções sexualmente transmissíveis. O resultado apontou que ela havia contraído HIV. Ao procurar uma infectologista, descobriu que Jean já era investigado pelo MP-RO havia cerca de quatro meses. “Eu era mais uma vítima do Jean”, relembrou.

O Ministério Público de Rondônia afirma que Jean é acusado de transmitir intencionalmente o HIV a pelo menos quatro mulheres. A denúncia sustenta que ele sabia de seu diagnóstico havia cerca de dez anos e teria optado por não aderir ao tratamento antirretroviral, com o objetivo de transmitir o vírus às pessoas com quem mantinha relacionamentos.

Ele foi denunciado pelos crimes de lesão corporal gravíssima e perigo de contágio de doença grave. Em relação a duas mulheres, também foi acusado de estupro. O órgão pediu ainda que o acusado seja responsabilizado pelos custos médicos e psicológicos das vítimas e ressarça o Sistema Único de Saúde (SUS) pelos gastos com os tratamentos.

Jean foi preso em 10 de junho. O primeiro processo julgado foi o relacionado a Maria. Em 24 de agosto, ele recebeu pena de cinco anos de prisão em regime semiaberto e foi condenado a pagar R$ 50 mil de indenização. Após a condenação, o MP pediu uma nova prisão preventiva, alegando risco de novas vítimas. A Justiça acatou o pedido na quarta-feira (9), e Jean voltou a ser preso. Outros dois processos ainda tramitam na Justiça.

Antes da condenação, a defesa de Jean afirmou ao g1 que prestava solidariedade às vítimas e sustentou que o acusado fazia tratamento antirretroviral e acreditava não haver risco de transmissão sexual do HIV. Depois da sentença, o advogado foi procurado novamente, mas não se manifestou.

A infectologista Mariana Vasconcelos destacou que os avanços no tratamento permitem que pessoas com HIV tenham expectativa de vida semelhante à da população em geral quando recebem diagnóstico precoce e seguem corretamente a medicação. O tratamento adequado também pode reduzir a carga viral a níveis indetectáveis, condição em que o HIV não é transmitido sexualmente.

Para Maria, além das consequências médicas, permanece o impacto do estigma associado à doença. “Não posso me identificar sem sofrer prejuízos ou expor familiares a prejuízo social. Infelizmente, a sociedade ainda cobra um preço para esse tipo de contágio”, afirmou.

O MP-RO orienta que possíveis vítimas procurem o Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit), delegacias especializadas de atendimento à mulher ou outras unidades policiais. Pessoas que suspeitem de exposição ao HIV também podem procurar unidades básicas de saúde e UPAs para realizar testes gratuitos e sigilosos. “Não se sinta culpada. Parece o fim do mundo, mas não é. Procure ajuda”, disse Maria.