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Tenente-coronel réu por feminicídio reclama de tarefas na prisão e diz "Sou um escravo aqui dentro"
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 54 anos, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, afirmou em interrogatório à Corregedoria da PM que se sente um "escravo" no Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo. Preso desde março, ele declarou que preferia estar morto a continuar detido.
Durante o depoimento, Neto detalhou sua rotina na prisão, afirmando que precisa pedir permissão ao detento mais antigo da cela, um soldado, para entrar no espaço. Ele relatou que executa tarefas como lavar o banheiro, o corredor, faxinar, buscar as refeições (café, almoço e jantar) e lavar louças.
Em sua fala, ele criticou a hierarquia dentro do presídio: "Aqui, eu não sou o Geraldo que a imprensa acusa de matar a Gisele. Aqui dentro eu sou o Te Cel [tenente-coronel] que assassinou uma soldada. E 99% dos internos aqui são de qual graduação? Cabos e soldados". Ele alega que oficiais presos recebem tratamento diferente dos demais internos.
Gisele foi baleada na cabeça em fevereiro. De acordo com as investigações, horas antes de ser morta, a soldado enviou mensagens ao marido falando sobre o divórcio. A polícia afirma que o celular da vítima foi manuseado e que as mensagens foram apagadas após o disparo, configurando uma tentativa de ocultar provas do desejo de separação.
Neto nega ter cometido o crime e sustenta a versão de que a companheira se suicidou. Além do feminicídio, ele também é réu por fraude processual.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) declarou que o presídio adota a igualdade de tratamento entre os detentos. O futuro do policial na corporação será decidido por três coronéis, em um processo que pode resultar em sua expulsão da PM.

