Notícias
Trump demite últimos integrantes de comissão eleitoral a quatro meses das eleições nos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu nesta quinta-feira (9) os três últimos membros da Comissão de Assistência Eleitoral (EAC), órgão federal independente responsável por auxiliar na organização das eleições no país. A medida ocorre a poucos meses das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro, quando toda a Câmara dos Deputados e um terço do Senado serão renovados.
Os comissários deixaram os cargos de formas diferentes: a única integrante republicana renunciou, enquanto os dois democratas foram demitidos por e-mail pela Casa Branca. O quarto membro da comissão já havia deixado o posto em abril.
Em nota, um funcionário do governo afirmou que Trump tem autoridade para remover pessoas que "talvez não estejam totalmente alinhadas com a importante tarefa de garantir a segurança das eleições". O governo também disse que trabalha com agências locais para fortalecer a infraestrutura eleitoral e evitar fraudes.
A EAC foi criada pelo Congresso em 2002 e funciona como um centro de apoio à administração eleitoral. Como os EUA não possuem um tribunal superior eleitoral, cada estado tem suas próprias regras de votação. A comissão credencia laboratórios, certifica sistemas de votação e mantém o formulário nacional de registro de eleitores.
A lei que criou o órgão determina que seus quatro integrantes sejam indicados pelo presidente e confirmados pelo Senado, com divisão igual entre republicanos e democratas. Os três comissários demitidos haviam sido aprovados por unanimidade pelos senadores.
O futuro da comissão é incerto, já que ainda não se sabe quando ou como Trump pretende nomear novos integrantes. O senador democrata Mark Warner classificou a decisão como "extraordinária" e disse que ela "levanta sérias preocupações sobre interferência política nas instituições que dão suporte às nossas eleições".
Desde que voltou à Presidência, Trump tem repetido, sem apresentar provas, acusações de fraude na eleição de 2020 e tenta ampliar a influência do governo federal sobre o sistema eleitoral, que tradicionalmente é administrado pelos estados.

