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Justiça tenta acordo entre famílias envolvidas em caso de bebês trocados em maternidade de Arapiraca

Audiência marcada para 21 de julho deve discutir a guarda das crianças; visitas entre irmãos gêmeos foram ampliadas por decisão judicial.

Por Zona 10 30/06/2026 15h03
Justiça tenta acordo entre famílias envolvidas em caso de bebês trocados em maternidade de Arapiraca
. - Foto: Reprodução

A Justiça de Alagoas marcou para o dia 21 de julho uma audiência que poderá definir os próximos passos do caso dos três bebês trocados na maternidade de Arapiraca, ocorrido em 2022. O objetivo é buscar um acordo entre as famílias antes de uma decisão sobre a guarda das crianças.

Enquanto o processo segue em andamento, o juiz responsável determinou a ampliação provisória da convivência de José Bernardo com seus pais biológicos, Débora Maria e Suelson dos Santos. A partir da decisão, o menino passará fins de semana alternados com a família biológica e poderá conviver com o irmão gêmeo, Gabriel. A medida é considerada provisória e poderá ser modificada conforme o andamento do processo.

O caso teve início em fevereiro de 2022, quando duas mulheres deram à luz no Hospital Nossa Senhora do Bom Conselho, em Arapiraca. Após os nascimentos, os bebês foram encaminhados à UTI Neonatal, onde ocorreu a troca de duas crianças. O erro só foi descoberto em 2024, depois que uma das mães identificou, por meio de uma fotografia publicada nas redes sociais, a grande semelhança entre uma criança e seu filho gêmeo. Exames de DNA confirmaram que os meninos haviam sido entregues às famílias erradas.

Desde a descoberta, o caso passou a envolver um delicado impasse entre os laços biológicos e afetivos construídos ao longo de mais de dois anos. A mãe que criou José Bernardo afirma desejar permanecer com a guarda do menino e defende um modelo de convivência compartilhada entre as famílias. Já os pais biológicos dos gêmeos manifestaram à Justiça o interesse de reunir os irmãos no mesmo núcleo familiar.

Em decisões anteriores, o hospital foi condenado ao pagamento de indenizações por danos morais às famílias, após a Justiça concluir que houve falhas graves nos protocolos de identificação dos recém-nascidos. Entre as irregularidades apontadas estão a ausência dos registros biométricos obrigatórios e a colocação das pulseiras de identificação nos berços, e não diretamente nos bebês.

O processo continua sendo acompanhado pelo Ministério Público e está na fase final de instrução. A audiência prevista para julho deverá avaliar as propostas apresentadas pelas famílias e poderá definir o futuro da guarda das crianças, embora qualquer decisão ainda possa ser contestada por meio de recursos.

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