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PF faz operação no Banco Digimais, de Edir Macedo, e bloqueia R$ 670 milhões

Por Redação 23/06/2026 08h08
PF faz operação no Banco Digimais, de Edir Macedo, e bloqueia R$ 670 milhões
. - Foto: Reprodução

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (23) a Operação Miragem contra o Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo. A ação investiga um suposto esquema de fraudes que pode ter movimentado centenas de milhões de reais.

Mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo. A decisão judicial também determinou o bloqueio de bens no valor de R$ 670,3 milhões, além do afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos.

De acordo com as investigações, a PF teve acesso a relatórios do Banco Central que apontam "graves irregularidades" na gestão da instituição. O esquema envolveria a manipulação sistemática de balanços e resultados contábeis para esconder a real situação financeira do banco e dar uma falsa impressão de solvência. As fraudes teriam permitido a supervalorização de ativos e a geração artificial de receitas, além de operações ilegais em benefício da empresa controladora do banco.

Histórico recente de negociações

O Digimais foi fundado em 1981 em Porto Alegre como Banco Renner. Em 2020, já sob controle total de Edir Macedo (que era acionista desde 2009), a instituição foi reestruturada para atuar como banco digital e adotou o nome atual.

Nos últimos meses, a instituição viveu um período de indefinição societária. Em janeiro deste ano (2025), Macedo chegou a transferir o controle para o empresário Maurício Quadrado, dono do BlueBank, mas o negócio não foi concluído porque o comprador nem enviou a documentação ao Banco Central, desistindo da compra.

Em abril de 2026, o BTG Pactual, de André Esteves, anunciou um acordo para comprar o Digimais, mas a transferência também não foi finalizada. O banco informou na época que a conclusão dependia da abertura para propostas concorrentes e da aprovação do Banco Central e do Cade.

Crimes investigados

Os investigados poderão responder por gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas, crimes previstos na Lei 7.492/1986, que trata dos delitos contra o Sistema Financeiro Nacional.

A reportagem da CNN busca contato com o Banco Digimais para um posicionamento oficial. A matéria está em atualização.