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PF revela que Braskem sabia de risco de afundamento em Maceió desde 1988, aponta denúncia

Investigações da Polícia Federal indicam que a empresa Salgema, antecessora da Braskem, foi alertada sobre o perigo de colapso do solo ainda na década de 1980. O Ministério Público Federal já denunciou ex-dirigentes por omissão.

Por Redação 22/06/2026 10h10
PF revela que Braskem sabia de risco de afundamento em Maceió desde 1988, aponta denúncia
. - Foto: Reprodução

A Polícia Federal concluiu que os riscos de afundamento do solo em Maceió eram conhecidos pela Salgema – empresa que deu origem à Braskem – desde 1988. Documentos técnicos contratados já em 1986 alertavam para a possibilidade de subsidência, o rebaixamento gradual do terreno. Três anos depois, novos laudos apontavam o risco de formação de crateras.


A informação consta em laudos periciais que embasaram a denúncia do Ministério Público Federal contra ex-dirigentes e técnicos ligados à exploração de sal-gema na capital alagoana. A atividade mineradora provocou a desocupação forçada de cinco bairros: Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol.


Segundo a investigação, apesar dos alertas, a empresa continuou sustentando oficialmente que não havia evidências de acomodação do solo. O processo de afundamento tornou-se detectável no final dos anos 1990, mas a Braskem – criada em 2002 – só teria reconhecido formalmente o problema a partir de 2003, quando já possuía dados de monitoramento que indicavam alterações significativas no relevo.


Para os investigadores, essa foi a primeira de uma série de omissões e supostas fraudes que esconderam a gravidade da situação por mais de uma década. A crise só veio a público em 2018, após tremores de terra e rachaduras em imóveis assustarem a população.


Em 2024, a PF classificou os danos como significativos e irreversíveis, afirmando que parte das áreas afetadas se tornou permanentemente imprópria para ocupação humana. Mais de 14 mil imóveis foram desocupados, afetando cerca de 60 mil pessoas.


Em 2023, a mina 18 cedeu sob a Lagoa Mundaú, no Mutange, mas o colapso foi controlado após o preenchimento da cavidade. A Braskem anunciou o fechamento definitivo das minas em 2019 e iniciou a estabilização das 35 cavidades subterrâneas, além de um programa de indenizações, ainda contestado por muitos moradores.


Em nota, a Braskem afirmou que sempre atuou em conformidade com as leis e regulações do setor, e que se pronunciará nos autos do processo. A empresa reiterou solidariedade aos afetados e disse que segue empenhada no cumprimento de todos os compromissos assumidos.


O caso é acompanhado pela Justiça e por comissões parlamentares. A Defensoria Pública de Alagoas já pediu indenização de R$ 4 bilhões para compensar a desvalorização de imóveis em bairros vizinhos à área do desastre.