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Mães atípicas transformam desafios em força e encontram nas praças de Maceió um novo recomeço

Revitalização de espaços públicos amplia inclusão e qualidade de vida

Por secom maceio 11/05/2026 10h10
Mães atípicas transformam desafios em força e encontram nas praças de Maceió um novo recomeço
. - Foto: Foto: Alisson Frazão/Secom Maceió

Entre terapias, consultas e uma rotina que exige atenção redobrada, mães atípicas
encontram no empreendedorismo uma forma de garantir renda sem abrir mão
do cuidado com os filhos. Em Maceió, histórias de força e reinvenção
marcam a trajetória de mulheres que transformaram desafios em
oportunidade e que, neste Dia das Mães, mostram que é possível
empreender com propósito, mesmo diante das dificuldades. A transformação
de praças, parques e espaços públicos revitalizados pela Prefeitura de
Maceió também passou a representar um novo começo para essas mães, que
encontraram nesses locais não apenas oportunidade de trabalho, mas
acolhimento, convivência e qualidade de vida.

É nesse cenário que a história da empreendedora Francisca Santos, mais
conhecida como Fran Santos, ganha voz. Aos 43 anos, ela divide a rotina
entre as dores da fibromialgia, outras patologias clínicas e os cuidados
intensos com o filho Daniel Vinícius, de 10 anos, diagnosticado com
Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 2, Transtorno do Déficit de
Atenção com Hiperatividade (TDAH), Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD)
e Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).

Mesmo diante das dificuldades, ela decidiu não parar. Mãe atípica,
empreendedora e apaixonada pela cozinha, Francisca encontrou nas
feirinhas realizadas em praças e espaços revitalizados da capital uma
nova forma de continuar sonhando.

“Eu sabia que ele seria meu filho desde o primeiro dia que o vi. Eu lutei
para tê-lo, adotei, e ele continua sendo o maior e melhor presente da
minha vida. Deus sabia o quanto eu precisava dele”, contou emocionada ao
contar também sobre os comentários dolorosos por parte da população.
“Tanta criança sadia para adotar, por que adotar uma criança doente?’.
Isso machuca muito. Mas meu filho nunca foi um peso. Ele é meu amor.”

Fran lembra que o período em que recebeu o diagnóstico do filho coincidiu
com a descoberta da própria fibromialgia. O impacto emocional mudou
completamente sua rotina.

“Foi um combo de sentimentos. Descobrir o autismo dele e descobrir a minha
fibromialgia ao mesmo tempo me deixou sem chão. Eu chorava o tempo todo,
não conseguia trabalhar. Mas as feirinhas e o grupo de mães foram me
trazendo de volta”, relembrou.

Hoje, ela integra o grupo “Empreender por Amor”, formado por mães atípicas
empreendedoras que encontraram nos espaços públicos revitalizados pela
Prefeitura de Maceió uma oportunidade de renda e também de acolhimento.
Entre uma venda e outra, elas compartilham experiências, trocam apoio e
transformam as praças em verdadeiros pontos de encontro afetivo.

“É nossa terapia. A gente ri, conversa, uma ajuda a outra. Muitas vezes
somos excluídas de aniversários, de festas, porque as pessoas ainda têm
preconceito com crianças atípicas. Então, quando estamos juntas nas
praças, nos sentimos acolhidas”, disse.


Fran Santos. Foto: Alisson Frazão/Secom Maceió
Fran Santos. Foto: Alisson Frazão/Secom Maceió


Para Fran, continuar é uma escolha diária. E é justamente essa força que ela
tenta transmitir para outras mães atípicas que chegam ao grupo sem
saber por onde recomeçar.

“Quando chegamos nas praças, muitas mães chegam até nós perdidas, sem saber o
que fazer depois do diagnóstico. E quando nos veem trabalhando, ocupando
os espaços, sorrindo, elas entendem que a vida continua. Não é fácil,
mas continua. E juntas, uma vai ajudando a outra a seguir”, destacou.

Apaixonada pela culinária, ela encontrou no empreendedorismo uma forma de
continuar ativa, mesmo enfrentando dores constantes causadas pela
fibromialgia.

“Eu amo cozinhar. Amo fazer as pessoas felizes através da comida. Faço caldos,
sopas, bolos, tortas, salgados. É cansativo, meu corpo sente muito
depois, mas eu não quero parar de fazer o que amo”, afirmou.

A transformação das praças da capital também teve impacto direto na vida
dessas mães. Além de garantir mais segurança, iluminação e espaços de
convivência, os ambientes passaram a receber feiras de empreendedorismo e
encontros do grupo.

“Esses espaços deram uma nova vida para a gente. Aqui a gente faz eventos, se
reúne, conversa, empreende. Já teve chá de bebê, encontros e momentos
muito importantes para todas nós”, contou.

Fran afirma que a maternidade transformou completamente sua visão de vida e fortaleceu sua missão de seguir em frente.

“A maternidade muda tudo. Muitas vezes a mulher se perde tentando cuidar
de todo mundo, mas quando existe apoio, acolhimento e troca, a caminhada
fica mais leve. A gente entende que não está sozinha.”

Ela também celebra o acolhimento que encontrou na rede municipal de ensino,
especialmente na Escola Municipal Orlando Araújo, na Ponta Verde, onde
Daniel estuda atualmente.

“Foi na escola municipal que eu vi meu filho realmente ser acolhido. Eles
abraçam as crianças de verdade. Fazem adaptações, acompanham, têm
cuidado. Eu não esperava encontrar esse apoio e hoje sou muito grata. O
meu Danzinho evoluiu muito e tudo isso é graças ao trabalho que a
prefeitura está fazendo”, relatou.

Apoio e Inclusão

Gabrielle Nascimento, de 40 anos, encontrou no grupo de empreendedoras uma forma
de continuar sonhando sem abrir mão da maternidade atípica. Mãe de
Giovanna, de 12 anos, diagnosticada com autismo nível 1, dislexia e
TDAH, ela conta que o diagnóstico da filha chegou de forma tardia,
quando a menina já tinha 10 anos, trazendo novos desafios para a rotina
da família.

“Com  meninas, muitas vezes o diagnóstico demora mais porque elas conseguem
mascarar alguns sinais de autismo. Quando chegou o diagnóstico, mesmo eu
já empreendendo antes, levei um choque. Pensei: ‘Como vai ser agora?
Como vou conciliar a rotina de mãe atípica com a de empreendedora?’”,
relembrou.

Mesmo já trabalhando com loja virtual de laços @Gibiarteselacos, acessórios e
gastronomia, Gabrielle precisou reorganizar completamente a vida após o
diagnóstico. Entre clínicas, terapias e acompanhamento constante, ela
encontrou apoio no grupo de mães atípicas empreendedoras.

“Eu só continuei. O empreendedorismo já era meu plano A e passou a ser meu
plano A, B e C. Foi o que me permitiu continuar sonhando. A rotina muda
totalmente. São horas procurando terapia, indo para clínica,
acompanhando tudo. É muito cansativo. Mas junto com as meninas do grupo,
a gente conseguiu seguir. A mãe quer dar conta, e a gente vai
encontrando forças”, disse.

Ela conta que as praças e espaços públicos passaram a ter um papel
importante na vida dessas mães. Além de proporcionarem segurança e lazer
para as famílias, os locais também se transformaram em oportunidade de
renda através das feiras de empreendedorismo.

“Quando você revitaliza uma praça, um espaço público, você devolve aquele
espaço para o povo. Hoje a gente encontra ambientes seguros, iluminados,
com parquinho, espaço para as crianças correrem. A gente vem trabalhar,
mas também vem relaxar, conversar, interagir. Virou nosso trabalho e
nossa terapia ao mesmo tempo”, afirmou.


Gabrielle Nascimento. Foto: Alisson Frazão/Secom Maceió
Gabrielle Nascimento. Foto: Alisson Frazão/Secom Maceió


Gabrielle também chama atenção para os desafios enfrentados por mães atípicas na
sociedade e no ambiente escolar. Segundo ela, ainda existe muito
preconceito e falta de preparo, especialmente na rede privada de ensino,
para acolher crianças neurodivergentes e suas famílias.

“Muitas mães acabam empreendendo porque o mercado de trabalho fecha portas. A
mulher vira mãe e muitas vezes deixa de ser vista profissionalmente.
Então o empreendedorismo surge como uma forma de continuar viva,
continuar realizando sonhos. Muitas vezes somos nós, pais, que
precisamos lutar sozinhos por suporte e inclusão”, ressaltou.

Apesar da força diária, Gabrielle afirma que o preconceito ainda machuca, principalmente quando atinge diretamente os filhos.

“Teve um período em que minha filha não queria mais sair de casa e muito
menos ir para a escola porque começou a perceber olhares e comentários.
Isso dói nela, mas dói muito mais em mim. E essa dor deveria estar na
sociedade que exclui.”

Mãe de uma menina que define como sua “filha arco-íris”, Gabrielle afirma
que a maternidade transformou completamente sua vida e sua forma de
enxergar o mundo.

“Minha filha me faz forte todos os dias. A maternidade ensina paciência,
resiliência e amor. Mesmo diante das dificuldades, a gente continua
porque nossos filhos merecem todo amor e todas as oportunidades”,
concluiu.

Recomeço

Aos 43 anos, Luciana Ferreira também é uma dessas mães. Ela é mãe de Luan
Gabriel, de 10 anos, autista nível 2 de suporte, e de Luiz Henrique, de
15 anos, deficiente auditivo. Ela conta que só passou a compreender
verdadeiramente o que era maternidade atípica após o diagnóstico do
filho mais novo.

“Eu  já era mãe atípica e não sabia. Foi quando veio o diagnóstico do Luan
que eu entendi que essa maternidade exigia desafios diferentes. E a
maternidade por si só já não é fácil”, relatou.

A rotina intensa fez com que Luciana precisasse deixar o emprego formal
após perceber sinais de esgotamento emocional. “Eu estava entrando em
burnout. Não conseguia mais ser funcionária, esposa, mãe e dar conta de
tudo ao mesmo tempo. Foi quando conheci as meninas empreendendo em uma
praça aqui em Maceió e meu olho brilhou. Eu pensei: ‘Trabalhei 25 anos
para os outros e não sei fazer nada para mim’. Aí fiz um curso e comecei
a trabalhar com terapias holísticas, que é uma área pela qual sou
apaixonada e hoje estou nas praças e em outros lugares trabalhando com
as meninas no que eu amo”, contou.


Hoje, ela afirma que empreender nas praças revitalizadas trouxe mais
qualidade de vida para toda a família. “O espaço público chamou a
sociedade de volta para o lazer. Hoje temos segurança, organização,
parquinho para as crianças e um ambiente acolhedor. Enquanto uma
empreende, a outra ajuda olhando os filhos. Isso virou um diferencial
enorme para as mães atípicas”, destacou.

Para Luciana, que é dona da @luzciana_massoterapeuta, além da renda extra, o
empreendedorismo também funciona como um escape emocional. “A gente sai
um pouco da rotina pesada das terapias e começa a pensar em criar,
vender, pesquisar. Isso ajuda muito nossa saúde mental.”

Neste Dia das Mães, Luciana deixa uma mensagem de acolhimento para mulheres
que estão começando a enfrentar os desafios da maternidade atípica. “Não
desistam de sorrir. O caminho não é fácil e muitas vezes parece que o
chão some dos nossos pés. Mas busquem apoio, conversem, não deixem
ninguém dizer que vocês não são capazes. Com amor, apoio e força pelos
nossos filhos, a gente consegue seguir em frente”, afirmou.