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19 jovens desaparecem sob ação de facções em São Miguel dos Milagres
Em São Miguel dos Milagres, no litoral norte de Alagoas, 19 jovens desapareceram em pouco mais de dois anos. A região, conhecida pelas praias paradisíacas e pelo turismo de alto padrão — com diárias de pousadas à beira-mar que chegam a R$ 60 mil —, vive também a sombra do crime organizado. De acordo com investigações, facções como o Comando Vermelho (CV) atuam na área, e os desaparecimentos têm características de execuções.
Os jovens desaparecidos têm entre 14 e 27 anos, moram em áreas de baixa renda e são, na maioria, trabalhadores locais. As suspeitas apontam que eles teriam entrado no radar do tráfico — seja como usuários de drogas, integrantes de grupos rivais ou por manterem vínculos considerados indevidos pelos criminosos.
Entre os casos mais recentes está o de Glauco Gabriel Omena, de 20 anos, garçom que desapareceu em 5 de dezembro de 2025. Ele não chegou ao trabalho em um restaurante de alto padrão. Três dias depois, Maria Vitória Chaves, de 22 anos, também sumiu. A jovem, que trabalhava como garota de programa, foi vista pela última vez acompanhada de três homens que faziam gestos alusivos ao Comando Vermelho. Uma amiga relatou que o companheiro dela teria se gabado de tê-la assassinado.
Das 19 vítimas, duas foram encontradas mortas. Andreas Denicio Borges Barros, de 14 anos, sumiu em fevereiro e foi localizado em uma cova rasa. João Victor Pinto, 18, desapareceu em abril de 2025 e o corpo apareceu nove dias depois no Rio Manguaba. Ambos os casos são tratados como execução ligada ao "tribunal do crime".
O delegado Ronilson Medeiros, responsável pela Coordenação de Desaparecimento de Pessoas de Alagoas, afirma que há subnotificação porque as famílias têm medo de registrar queixa. "É altamente preocupante", disse ele. A promotora Marluce Falcão, do Ministério Público de Alagoas, destacou que a dor do desaparecimento desestrutura famílias e comunidades, gerando medo e desesperança.
Moradores relatam que criminosos usam drones para monitorar a região, identificar alvos e definir pontos de desova de corpos. A ausência do Estado é criticada por familiares, que pedem mais ações das autoridades. Dois corpos ainda aguardam identificação no IML por falta de coleta de material genético das famílias, que vivem distantes e sem recursos para se deslocar.

