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Hoje, às 19h, no Museu Mariá: espetáculo “Mariá e o Tempo” resgata a história de uma mulher à frente do seu tempo em União dos Palmares

Por Redação 24/03/2026 12h12
Hoje, às 19h, no Museu Mariá: espetáculo “Mariá e o Tempo” resgata a história de uma mulher à frente do seu tempo em União dos Palmares
Poster da peça - Foto: Reprodução

Mais do que um nome preservado na memória cultural da cidade, Maria Mariá foi uma mulher à frente do seu tempo, cuja trajetória atravessou o século XX marcada por coragem, irreverência e compromisso com a educação e a cultura.

Nesta terça-feira, 24 de março, às 19h, o público palmarino terá a oportunidade de revisitar essa história por meio do espetáculo “Mariá e o Tempo”, que será encenado no próprio Museu Mariá, casarão onde a educadora viveu e dedicou parte da sua vida à preservação da memória local.

A montagem conta com atuação e dramaturgia da atriz Lidiane Amorim, além da participação dos atores convidados Igor Vasconcelos e Monique Dantas. A proposta cênica aproxima o público da personagem ao utilizar como cenário um espaço carregado de simbolismo histórico, proporcionando uma experiência imersiva.

Nascida em 1917, Maria Mariá destacou-se por desafiar padrões sociais e educacionais de sua época. Professora por vocação, posicionou-se contra práticas autoritárias em sala de aula, como o uso da palmatória, que classificava como um instrumento de tortura — atitude pioneira em um período em que esse tipo de punição era amplamente aceito.

Um dos episódios mais marcantes de sua vida ocorreu em 1956, quando, ao vestir um maiô e posar para uma fotografia às margens do Rio Mundaú, provocou forte reação da sociedade local e da direção do Grupo Escolar Jorge de Lima. Como consequência, foi transferida para o município de Murici, em um episódio que ficou conhecido como seu “exílio” administrativo.

Além da atuação na educação, Mariá também rompeu barreiras em diferentes áreas. Foi a primeira mulher em União dos Palmares a usar calça comprida em público, fundou a Biblioteca Pública Municipal, organizou eventos culturais como a Festa da Mocidade e ocupou espaços predominantemente masculinos, como mesas de jogos em bares da cidade.

Seu compromisso com o patrimônio histórico também foi decisivo para o município. Mariá atuou para impedir a demolição da Igreja Matriz e transformou a antiga casa da família do poeta Jorge de Lima em museu, onde viveu por anos catalogando peças e objetos que hoje integram um importante acervo sobre a história da região.