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Sogro é absolvido após dar 80 chibatadas em genro por bater na esposa

Por Redação 13/02/2026 12h12
Sogro é absolvido após dar 80 chibatadas em genro por bater na esposa
Seu Luiz durante a julgamento - Foto: Reprodução

Um caso que mobilizou a pequena cidade de Irecê, no interior da Bahia, chegou ao fim após dez anos de tramitação na Justiça. Seu Luiz, um lavrador de 62 anos, morador da zona rural do município, foi absolvido por unanimidade da acusação de tentativa de homicídio contra o próprio genro. O motivo: ele reagiu com violência após descobrir que a filha era agredida pelo companheiro.

Tudo começou quando o pai passou a desconfiar do comportamento da filha. Mesmo sob sol forte, com temperaturas que chegavam a quase 40 graus, ela passou a visitar a casa da família usando roupas compridas, numa tentativa de esconder os hematomas. Foi a mãe da jovem quem confirmou a suspeita: a filha estava sendo agredida pelo marido.

Inconformado, Seu Luiz decidiu confrontar o genro. Durante o encontro, o jovem teria admitido que deu um tapa no rosto da esposa “para ela aprender a respeitar um homem”. Foi nesse momento que o lavrador, tomado pela revolta, amarrou o agressor e desferiu cerca de 80 golpes com uma faca. Em depoimento, o genro afirmou que as agressões só pararam quando a lâmina quebrou.

Durante o julgamento, Seu Luiz emocionou o plenário ao relatar o que disse ao agressor antes das chibatadas:

— Rapaz, elemento ruim, covarde. Como tu bate na filha de um homem? Olha o tamaninho da minha filha. Uma filha que eu criei nos meus braços, dei amor, dava tudo pela minha filha, para você fazer isso com minha filha. Agora você vai sentir a dor que ela sentiu.

A declaração que marcou o júri, no entanto, veio a seguir:

— Ele é bom pra bater em mulher. Eu só queria fazer ele sentir o que é apanhar de alguém em situação de vantagem. Se fosse pra matar, eu tinha feito e largado o corpo na estrada. Deixa eu sair pra voltar a cuidar das minhas filhas e esposa. Mas, se for pra pagar, eu tô aqui pra pagar.

Inicialmente, Seu Luiz foi indiciado por tentativa de homicídio. Mas, após o julgamento, os jurados entenderam que ele não teve intenção de matar. A conduta foi interpretada como uma reação no contexto de proteção da filha, vítima de violência doméstica na véspera. Por unanimidade, o Conselho de Sentença reconheceu a absolvição.