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Operação da PF investiga deputados do PL e desvio de 27 milhões de verba pública, 430 mil foi apreendido na casa do deputado Sóstenes Cavalcante

Por Redação 19/12/2025 10h10 - Atualizado em 22/12/2025 08h08
Operação da PF investiga deputados do PL e desvio de  27 milhões de verba pública,  430 mil foi apreendido na casa do deputado Sóstenes Cavalcante
Deputados investigados - Foto: Reprodução

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira, 19, a Operação Galho Fraco, que investiga um suposto esquema milionário de desvio da cota parlamentar dos deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos do PL do Rio de Janeiro. Durante as buscas, foi apreendido um montante de R$ 430 mil em dinheiro vivo na residência do deputado Sóstenes Cavalcante, líder do partido na Câmara.

A investigação aponta que o esquema funcionava por meio de contratos simulados com uma empresa de locação de veículos, controlada por assessores, para justificar despesas inexistentes da cota dos parlamentares. Segundo a PF, a verba era sacada de forma fracionada, em valores abaixo de R$ 10 mil – prática conhecida como smurfing – para tentar burlar os sistemas de controle financeiro.

As provas que levaram aos deputados foram colhidas ao longo de um ano, a partir da análise de mensagens de celular, depoimentos e documentos apreendidos na Operação Rent a Car, deflagrada em dezembro de 2024. Naquela ocasião, apenas assessores dos gabinetes foram alvo, pois o ministro do STF, Flávio Dino, considerou na época que não havia indícios suficientes contra os parlamentares. Com o novo conjunto de evidências, o mesmo ministro autorizou a nova fase, que incluiu buscas diretas contra Sóstenes e Jordy.

Além do dinheiro apreendido, os investigadores rastrearam uma movimentação financeira suspeita de cerca de R$ 27 milhões entre 2023 e 2024, realizada por assessores e familiares ligados aos gabinetes, sem origem comprovada. Os crimes investigados são peculato (desvio de verba pública), lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Em suas redes sociais, o deputado Carlos Jordy reagiu às buscas, classificando a ação como uma "perseguição implacável" e "covarde". Ele negou irregularidades e afirmou que utiliza os serviços da locadora em questão desde o início de seu mandato. O deputado Sóstenes Cavalcante, por sua vez, anunciou que dará uma coletiva de imprensa para se manifestar sobre o caso.

A Operação Galho Fraco cumpre mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Rio de Janeiro. Os celulares dos dois parlamentares foram recolhidos para perícia. A investigação segue em andamento para apurar a origem do dinheiro apreendido e a extensão total do suposto esquema de desvios.